O projeto “Polímeros naturais na administração de radioiodo”, coordenado pela pesquisadora Dra. Luciana Carvalheira do Serviço do Reator Argonauta (SEREA), foi selecionado na etapa “Crescer e Estruturar” do Edital Catalisa ICT - Planos de Inovação, cujo objetivo é acelerar e fomentar projetos de cunho tecnológico que tenham potencial para fornecer soluções tecnológicas e inovadoras ao mercado nacional e internacional. A pesquisa foi desenvolvida com auxílio de recursos do projeto FINEP – Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), em parceria com o Laboratório de Engenharia de Polimerização (EngePol), da COPPE/UFRJ.

O radioiodo é um importante insumo da medicina nuclear, utilizado em mais de 300 procedimentos de diagnóstico e terapia por ano, e tem como principal aplicação seu uso no diagnóstico e na terapia do câncer de tireoide. Segundo o INCA, cerca de 13.780 novos casos de câncer de tireoide são registrados anualmente, dos quais 86 % acometem mulheres. Atualmente, a administração do radioiodo é feita por via oral através de sua diluição em soro o qual é ingerido pelo paciente. Nesse procedimento, de 10 a 20 % dessa dosagem é perdida devido à contaminação de materiais como frascos e canudos. Além disso, é preciso submeter o paciente a uma dose relativamente maior para contabilizar as perdas que ocorrem, por absorção em outros órgãos do sistema digestivo, até a chegada do radioiodo ao estômago.

micropartículas do biopolímero estudado

 A pesquisa propõe o encapsulamento do radioiodo em nanopartículas de polímeros naturais de forma que a liberação do material radioativo ocorra apenas no ambiente estomacal. Como resultado, a pesquisadora Luciana destaca: “Aprisionar o radioiodo em nanopartículas de biopolímeros, para liberação somente no estômago dos pacientes é uma solução viável, com grandes vantagens, uma vez que reduz as perdas com a contaminação e otimiza a dose de radiação à qual os pacientes são expostos. Essa solução tecnológica resulta no aumento da disponibilidade deste radioisótopo à população e da segurança na manipulação do material, além de reduzir custos com descontaminações e o impacto ambiental devido a diminuição de resíduos radioativos.”

À esquerda imagem da micropartículas do biopolímero estudado

 

 Os projetos selecionados nessa etapa recebem até R$150 mil, dividido entre auxílio e bolsas, com duração de até 12 meses.  A equipe liderada pela pesquisadora Luciana Carvalheira é inteiramente feminina e conta com Kethele Loureiro (IC/IEN), graduanda em Engenharia Química pela Escola Politécnica da UFRJ, Nicolis Amaral de Araujo (DTI/IEN), doutoranda em Engenharia Química pelo Programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ, e Larissa Cunha Pinheiro, doutoranda em Engenharia Nuclear pelo Programa de Engenharia Nuclear da COPPE/UFRJ. Durante esse período, o projeto proverá treinamento aos pesquisadores visando aumentar a inserção de mestres e doutores no ecossistema de inovação e empreendedorismo e dando o suporte necessário para a criação de uma empresa de base tecnológica com a solução desenvolvida.