Reconhecida pelo seu trabalho na revitalização do Biotério e adorada por seu espírito festeiro e agregador, Nanci do Nascimento é lembrada com carinho pelos amigos

Depoimentos emocionados marcaram a homenagem do IPEN à pesquisadora Nanci do Nascimento dando seu nome ao Biotério, vinculado ao Centro de Biotecnologia (CEBIO) do Instituto. Biomédica e pesquisadora do Instituto desde 1995, Nanci faleceu em março de 2017. Seu espírito divertido e agregador, e sua generosidade, foram destacados por todos os colegas presentes na solenidade de descerramento da placa, que ocorreu nesta quinta-feira, 28.

"Nanci tinha um coração enorme. Era muito sempre muito solícita quando os alunos a procuravam pedindo orientação. Exemplo de profissional competente e muito dedicada às pesquisas e, particularmente, ao Biotério. Foi ela quem mais trabalhou para a revitalização do Biotério. Nada mais justo do que batizá-lo com seu nome. Todos reconhecem o mérito dessa homenagem”, comentou Carlos Roberto Soares, atual gerente do CEBIO.

Soares lembra de quando assumiu pela primeira vez a gerência do Centro e Nanci tocava o Biotério, o que era uma "preocupação a menos”. "Ela resolvia todos os problemas, não sobrava nada. Nanci tinha uma habilidade incrível de lidar com pessoas e buscar soluções. Sempre me ajudava com sua experiência como gerente. Faz cinco anos que ela morreu e parece que foi ontem. Foi uma perda grande para o IPEN, Nanci faz muita falta. Precisamos de cinco para substitui-la”.

Wilson Calvo, superintendente do IPEN, mencionou a boa relação que Nanci tinha com seus orientandos e destacou seu caráter afetuoso. "Nanci abraçava todo mundo. Os alunos iam junto com ela para os congressos, ela fazia questão que todos se apresentassem. Importante ressaltar a sua contribuição para a democratização das pesquisas na área de efeitos biológicos da radiação orientando alunos de todo o país, além de ter sido muito atuante na Sociedade Brasileira de Ciências Nucleares”.

Calvo lembrou que Nanci já havia sido homenageada por ocasião do aniversário do IPEN, em 2021, e parabenizou os membros do CTA – Conselho Técnico Administrativo, presentes na solenidade, pela decisão de dar seu nome ao Biotério, divulgando e eternizando o reconhecimento ao seu legado, deixando uma "marca, um registro, para as próximas gerações: o Biotério Nanci do Nascimento”.

Festeira

"Eu só tenho a agradecer por ter convivido 30 anos com a Nanci. Era uma festa. Quem conviveu com ela, sabe que era uma festa. Todos trabalhavam, não havia dificuldade, tudo era resolvido. O seu jeito de tocar o mundo era muito promissor. Nunca me esqueço de uma noite em que uma pessoa de um congresso ligou para mim e para a Nanci dizendo que não conseguiria realizar o evento. Ela disse: – Deixa comigo, que na próxima semana eu digo onde será. E o congresso foi aqui, no IPEN, maravilhoso”, comentou o médico Heitor Franco de Andrade Júnior, marido de Nanci.

Professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), Andrade agradeceu pelo reconhecimento do IPEN e comentou que todos os que conviveram com Nanci devem agradecer pela parceira que ela sempre foi. "E eu agradeço por vocês lembrarem dela, em nome da família. Mas ela sempre será lembrada porque era intensa demais. Sejam felizes”, concluiu.

Isolda Costa, diretora substituta do IPEN, salientou a participação de Nanci em comitês na área de ensino da instituição. "Além de tudo o que ela fazia, ainda participava de comitês, fossem eles de iniciação científica, de seleção de bolsas de mestrado e outros, e foi essa a minha convivência com ela. Reforçando as palavras do Heitor, eram dias muito agradáveis. Era um trabalho que fazíamos com prazer, pela presença da Nanci, ela contagiava com seu bom humor”.

Por fim, Fernando Moreira, gerente do Escritório de Gestão de Projetos, prestou homenagem destacando a "Nanci professora”. "Quando a gente saía para os eventos acadêmicos, a Nanci chegava, e era uma festa. Festa mesmo. Chegou a ter uma festa à fantasia, com ela presente. Os alunos adoravam a Nanci, e ela, muito sabiamente, como era a primeira a dar aula, já escolhia previamente os melhores para seus orientandos. E eles certamente estão orgulhosos de ela receber essa homenagem”, contou.

Segundo Moreira, havia um grupo de WhatsApp que se chamava Nanci’s children, "porque ela os tratava realmente como se fossem filhos dela, e todos queriam ser seus alunos. Nanci animava até velório, sempre com aquele bom humor que contagiava todo mundo. É um orgulho para o IPEN ter tido a Nanci, e é um orgulho para mim, pessoalmente, ter tido sua amizade”.

Do Borá para São Paulo

A morte de Nanci saiu no Jornal Folha de São Paulo, em coluna assinada por Paulo Gomes. Nascida e criada na Penha, bairro da zona leste de São Paulo, Nanci partiu nova, com 56 anos. Seus pais vieram do Borá, pequeno distrito rural na região de São José do Rio Preto (SP), e era lá para onde ia com frequência, segundo depoimento de Heitor para o jornalista. "Ia pra Rio Preto umas dez vezes por ano”. Numa das mais célebres, a dos "200 anos", comemorou os 50 anos e contratou até passistas de uma escola de samba para uma festa com 400 convidados.