Com execução do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, novo polo nasce com a proposta de uma 'aliança estratégica para o desenvolvimento de um ambiente catalisador de inovação em ciências da vida'.

"Um momento histórico para o Estado de São Paulo e para o País, ligado fortemente à ciência, tecnologia, desenvolvimento sustentável e inovação, na busca de soluções para problemas da nossa sociedade”. Com essas palavras, o superintendente do IPEN, Wilson Calvo, iniciou sua saudação no lançamento do Hub de Ciências da Vida e Descarbonização, nesta quarta-feira, 3, na sala do Conselho Universitário, no prédio da Reitoria da USP, em São Paulo.

O Hub é resultado de parcerias para fomentar o desenvolvimento de inovações e soluções tecnológicas e radicais na área de saúde. IPEN e USP já têm história de cooperação de sucesso no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Nuclear, com mais de três mil títulos concedidos de mestre e doutor (3.146, precisamente) e conceito 6, na Capes. Calvo também mencionou a colaboração entre o Instituto, a CNEN e a Escola Politécnica para a criação do curso de Engenharia Nuclear, em 2021.

"São conquistas importantes, com a participação da SDE/SP, por meio de cooperações profícuas e gratificantes entre o IPEN e a USP, que remetem à criação do então Instituto de Energia Atômica (IEA), em 31 de agosto de 1956, por decisão da Universidade e do CNPq”, lembrou Calvo. A Incubadora de Empresas de Base Tecnológica USP/IPEN-CIETEC que, com a criação do Hub, passa a ser Unidade 1 do novo polo, também é uma ação de sucesso, de acordo com o superintendente do IPEN.

"Nossa Incubadora, em 25 anos de existência, abriga, em média, 100 empresas incubadas que fizeram a diferença no momento de pandemia da Covid-19 e atendimento às necessidades imprescindíveis da população brasileira na área de saúde”, lembrou Calvo. Fundação em 1997, tendo à frente o pesquisador Cláudio Rodrigues como superintendente, e o professor Flávio Fava de Moraes, então reitor da USP, a Incubadora, por meio de suas startups, fez a diferença no período crítico em 2020.

"Ex-alunos da USP, do ITA, dentre outras instituições de ensino, criaram, com apoio PIPE-FAPESP, as startups Magnamed, Timpel, TissueLabs, Omni-electronica, 3D Criar e Sonata Solutions, todas na Incubadora USP/IPEN-CIETEC, as quais fizeram a diferença na pandemia da Covid-19”, destacou Calvo. Ele também ressaltou o que chamou de "grande diferencial” para o HUB: o local, "muito adequado para instalação devido à existência da USP, do IPT, Instituto Butantan, CTMSP, Hospital Universitário, IPEN, dentre outras”.

A aprovação e execução de projetos de arraste da Radiofarmácia e também nas áreas de novas energias, ciência de alimentos, processos industriais, com equipamentos multiusuários e modernização das instalações e laboratórios financiados pela FAPESP, FINEP, CNPq e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também foram mencionados por Calvo. "Nossas instalações, os laboratórios multiusuários, e toda a infraestrutura oferecida pelos parceiros serão fundamentais o sucesso do HUB”.

Calvo também mencionou o Projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e sua futura instalação em área já concedida de 2 milhões de m2, na cidade de Iperó/SP, empreendimento que conta com a colaboração da Marinha do Brasil e do Governo do Estado de SP, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, dentre outros parceiros. O RMB é a grande aposta para que o Brasil tenha autossuficiência na produção de radioisótopos e radiofármacos para a medicina nuclear do País.

Ao final, concluiu dizendo que "grandes empresas nasceram de iniciativas de profissionais oriundos das comunidades USP e IPEN, dentre outras renomadas, em nossa incubadora de base tecnológica. Ao longo de 25 anos, conseguimos construir um ambiente muito propício ao surgimento de soluções inovadoras.

Ao criar o Hub Ciências da Vida, pensamos em oferecer um novo espaço, onde diversos atores possam colaborar juntos para fortalecer o ecossistema de empreendedorismo e inovação”.

Lições da pandemia

Participaram da cerimônia de lançamento Carlos Gilberto Carlotti Junior, reitor da USP, Paula Lima, diretora-presidente do Cietec, Arnado Silva, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, além de Calvo.

Carlotti fez um breve resumo da inovação na USP, reconhecendo o crescimento da área, mas apontando a necessidade de avançar ainda mais. Destacou a criação de uma pró-reitoria adjunta vinculada à então Pró-Reitoria de Pesquisa, que agora passa a ser Pró-Reitoria de Pesquisa de Inovação. "A inovação e o desenvolvimento sustentável são dois princípios basilares de nossa atuação à frente da Reitoria nos próximos quatro anos”, comentou

O reitor comentou sobre o desafio da USP, como ambiente de ensino e pesquisa, de apresentar soluções para os problemas sociais brasileiros, enfatizando que a colaboração com todos os setores da sociedade é primordial, e, nesse sentido, a parceria para a criação do Hub de Ciências da Vida é um exemplo.

Paula Lima reiterou a missão do Hub de entregar para a sociedade soluções inovadoras que estimulem o desenvolvimento socioeconômico brasileiro e comentou sobre a importância do investimento em ciência para salvar vidas, "uma das lições que aprendemos na pandemia”. Também citou a dependência brasileira de insumos medicamentos e equipamentos de saúde, evidenciados no momento crítico da pandemia.

"Mesmo empresas que já possuíam tecnologia para produzir ventilador pulmonar não conseguiram suprir nossa demanda interna. Sem a expertise delas e de ICTs como o Instituto Butantan, que produziu a Coronavac, teríamos perdido muito mais vidas. A partir desse aprendizado, articulamos uma aliança estratégica para criação e operacionalização do Hub de Ciências da Vida”, afirmou.

Sobre o Hub

O Hub é uma realização do IPEN e da USP, com execução do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec). Nasce com a proposta de uma "aliança estratégica para o desenvolvimento de um ambiente catalisador de inovação em ciências da vida”. O empreendimento ocupará 20 mil m2 no Campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), onde novas tecnologias serão desenvolvidas e testadas a partir de janeiro de 2023.

O diferencial do projeto é a conexão entre Institutos públicos de Ciência, Tecnologia (ICTs) do Estado de São Paulo, startups e indústrias com o propósito de solucionar grandes desafios da sociedade e do mercado, por meio do suporte às empresas iniciantes intensivas em tecnologias — as chamadas deeptechs. A meta é que o Hub se torne a base para testes de novas tecnologias em saúde por meio do fomento ao empreendedorismo e das deeptechs.​

Entre institutos e empresas envolvidos na criação do Hub estão Instituto Butantan, Inova HC, Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Merck e L´Oreal, dentre outros, além do apoio do Governo do Estado de São Paulo.