Há 70 anos, um passo histórico. No dia 31 de agosto de 1956, foi fundado o Instituto de Energia Atômica (IEA), um marco essencial do Brasil rumo ao seu desenvolvimento científico. O IEA foi a base para o que é, hoje, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). Em comemoração ao aniversário do instituto, damos início a uma série de 70 fatos essenciais na história do Instituto e da pesquisa nuclear brasileira.
Um ano antes da criação do IEA, realizou-se a Conferência para Usos Pacíficos da Energia Atômica, sediada em Genebra entre os dias 8 e 20 de agosto de 1955. O evento havia sido aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 1954, ocasião em que foi nomeado um comitê consultivo encarregado de sua organização. O Brasil integrou esse comitê, sendo representado pelo físico Joaquim Costa Ribeiro, e participou da comissão científica, com o também físico José Leite Lopes.
Uma delegação brasileira também participou da Primeira Conferência para os Usos Pacíficos da Energia Atômica, mais conhecida como Primeira Conferência de Genebra. Era composta por cinco membros. Entre eles estavam Bernardino de Mattos Netto, Elysiário Távora Filho, Ernani da Motta Rezende, Marcello Damy e Joaquim Costa Ribeiro. A conferência reuniu cientistas dos blocos ociental e soviético em torno do intercâmbio de conhecimentos sobre energia nuclear e deu a base científica e técnica ao programa “Átomos para a Paz”.
Lançada pelo presidente norte-americano Dwight Douglas Eisenhower em seu célebre discurso na ONU, em 8 de dezembro de 1953, a iniciativa tinha como objetivo redirecionar a tecnologia nuclear e os materiais físseis, especialmente o urânio, de finalidades bélicas para aplicações pacíficas, como o desenvolvimento de energia aplicada e outros usos civis.
Nesse contexto, a delegação brasileira aproveitou a viagem à Primeira Conferência de Genebra para cumprir uma etapa preliminar nos Estados Unidos, onde visitou centros de pesquisa e empresas envolvidas no desenvolvimento e fornecimento de reatores nucleares. Foi a base para que o IEA fosse criado em 1956, por meio de um convênio entre o Conselho Nacional de Pesquisas, atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e a Universidade de São Paulo (USP).
À época, em um mundo ainda abalado pela 2ª Guerra Mundial, havia um movimento, liderado por pesquisadores e universidades, em busca da modernização científica e tecnológica do Brasil. A criação de um instituto nuclear, voltado para atividades civis, como a medicina, se mostrou essencial neste processo.
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