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IPEN 70 ANOS: EM 1995, NOVO RADIOFÁRMACO REPRESENTOU AVANÇO DA MEDICINA NUCLEAR BRASILEIRA

Publicada em: 29/07/2026 21:06 -

 

Unidade de produção do radiofármaco ¹⁵³Sm-EDTMP. Foto: Marcello Vitorino. Fonte: Órbita, IPEN, ano II, n. 10, maio./jun. 2002.

Em meados de 1995, tiveram início, na Coordenadoria de Processamento de Material Radioativo do IPEN, os estudos preliminares para o desenvolvimento do radiofármaco ¹⁵³Sm-EDTMP, indicado para o alívio da dor provocada por metástases ósseas, especialmente identificadas por cintilografia.

Para a obtenção do radiofármaco, os estudos utilizaram amostras de samário submetidas, quinzenalmente, a irradiações contínuas de 15 horas, no reator IEA-R1. Após essa etapa, o samário-153 produzido pela ativação neutrônica foi associado ao EDTMP, composto com afinidade pelas regiões de maior atividade de formação óssea. Sob a denominação de ¹⁵³Sm-EDTMP, os primeiros lotes foram distribuídos a hospitais das cidades de São Paulo e Campinas (CONGRESSO GERAL DE ENERGIA NUCLEAR, 1996).

Para que o uso clínico do radiofármaco pudesse atender à demanda nacional, entretanto, foi necessário combinar a produção do radioisótopo com adequações nas condições de operação do reator IEA-R1. Realizados os ajustes, a produção rotineira do ¹⁵³Sm-EDTMP teve início em novembro de 1995.
Décadas mais tarde, a Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 263/2019 –, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleceu normas para a regularização sanitária de radiofármacos de uso consagrado, já empregados na medicina nuclear brasileira. Com isso, em 2020, o produto do IPEN obteve novo registro com a denominação SAMAR-IPEN – lexidronam (¹⁵³Sm).

O domínio da tecnologia de produção desse radiofármaco representou mais um avanço da medicina nuclear brasileira. Sua fabricação articulou o uso do reator IEA-R1, que se aproximava de quatro décadas de operação, o conhecimento acumulado em radioquímica, a capacidade de produção de radiofármacos e a cooperação do Instituto com as redes pública e privada de saúde.


Nessa mesma época, o IPEN preparava-se para ampliar sua capacidade de produção de radioisótopos com a aquisição de um novo acelerador de partículas. Instalado em 1996, o Cyclone-30 passou a completar as atividades desenvolvidas no reator IEA-R1. Enquanto o samário-153 é obtido por ativação neutrônica do samário-152, o cíclotron permite produzir outros radioisótopos para preparação de diversos radiofármacos destinados à área da saúde, entre eles o flúor-18, o gálio-67, o tálio-201 e o iodo-123.

O Instituto ampliou sua capacidade de produção e distribuição de radiofármacos, consolidando-se como o principal centro fornecedor do país. Ao final da década de 1990, essas atividades ocupavam uma posição cada vez mais relevante na atuação institucional do IPEN e evidenciavam o impacto direto das aplicações da tecnologia nuclear na saúde da população brasileira.

Referências:

Revista Órbita, IPEN, ano II, n. 10, maio./jun. 2002.

GASIGLIA, H. T.; BARBOZA, M. F.; MENGATTI, J.; HERRERIAS, R.; PEREIRA, M. S.; SILVA, C. P. G. ¹⁵³Sm-EDTMP, fase III: produção rotineira. In: CONGRESSO GERAL DE ENERGIA NUCLEAR, 6., 1996, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro, 1996. Disponível em: http://repositorio.ipen.br/handle/123456789/18855. Acesso em: 28 jul. 2026.

GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

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