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IPEN 70 ANOS: EM 2002, TRADIÇÃO NUCLEAR E NOVAS FRONTEIRAS DA INIVAÇÃO

Publicada em: 04/08/2026 18:49 -

Imagem 1: O pesquisador do IPEN apresenta o MEA (Membrane Electrode Assembly), o núcleo da célula a combustível a hidrogênio. Imagem 2: Montagem experimental de laboratório destinada ao ensaio de uma célula eletroquímica (célula a combustível), no IPEN. Fonte: Arquivo IPEN
O IPEN ingressou no século XXI orientado pelo trinômio ciência, tecnologia e inovação (C&T&I), que sintetizava a ampliação de suas áreas de atuação ao longo das décadas. Com essa orientação, o Instituto buscava cumprir sua missão de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Criado em 1956 como Instituto de Energia Atômica, havia concentrado inicialmente suas atividades no campo nuclear.

 

Segundo Marcelo Linardi, pesquisador emérito do IPEN, foi a partir da década de 1990 que “(...) outras áreas de interesse em C&T&I nacionais, além da nuclear, foram incorporadas ao portfólio de P&D do IPEN, entre elas: materiais, lasers, biotecnologia, energias renováveis e meio ambiente” (LINARDI, 2016). As iniciativas implantadas desde então contribuíram para fortalecer as atividades de ciência, tecnologia e inovação no Instituto, incluindo ações de proteção do conhecimento, transferência de tecnologia e gestão de projetos, posteriormente associadas ao atual Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e ao Escritório de Gestão de Projetos (EGP).

As inovações desenvolvidas pelo IPEN, contudo, não se restringiam às novas áreas incorporadas ao seu campo de atuação. O Instituto também avançava em atividades nucleares tradicionais, como o ciclo do combustível, a fabricação de radiofármacos para a medicina nuclear e a tecnologia das radiações. A essas frentes somavam-se as pesquisas em biotecnologia, lasers, células a combustível, hidrogênio e desenvolvimento de materiais. Em grande medida, esses campos correspondiam às perspectivas de pesquisa e desenvolvimento projetadas pelo Instituto para o novo milênio.

Em 2002, importantes marcos foram registrados nas áreas tradicionais de atuação institucional. No ciclo do combustível nuclear, o Instituto consolidou o domínio do processo de obtenção do urânio metálico, ampliando as condições para o desenvolvimento nacional das diferentes etapas dessa tecnologia.

Na medicina nuclear, a aquisição de um novo cíclotron, realizada poucos anos antes, permitiu que importantes radiofármacos passassem a ser produzidos semanalmente a partir de 2002. Entre eles estava o gálio-67, empregado em exames de cintilografia para mapear abcessos, inflamações crônicas ou agudas e no acompanhamento de pacientes com linfoma.

Em tecnologia das radiações, o ano assinalou o início do projeto e da construção do Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, que representaria um avanço na capacidade de processamento por radiação de quantidades em escala industrial.

A consolidação desses progressos também se refletiu nos processos da qualidade. Em 2002, a Fundação Vanzolini concedeu a certificação ISO9001:2000 aos setores de Aceleradores de Cíclotron, Engenharia Nuclear e do Reator de Pesquisa, além de confirmar a certificação do Centro de Radiofarmácia.

Entre os novos campos de inovação do IPEN, 2002 foi particularmente estratégico para a área de células a combustível e de tecnologias relacionadas ao hidrogênio. Dois anos antes, o Instituto havia iniciado uma frente de pesquisa dedicada a fontes energéticas eficientes e de baixo impacto ambiental. Em 2002, o Ministério da Ciência e Tecnologia elaborou o Programa Brasileiro de Hidrogênio e Sistemas de Células a Combustível, com a participação de universidades, institutos de pesquisa e empresas. Pesquisadores do IPEN tiveram atuação relevante nessa iniciativa, destinada a integrar esforços nacionais, estimular o domínio de tecnologias próprias e preparar o país para o desenvolvimento de sistemas energéticos baseados em hidrogênio.

Os desafios eram amplos. Envolviam não apenas o aperfeiçoamento das células a combustível, mas também a produção, o armazenamento e a distribuição do hidrogênio, a formação de recursos humanos, a regulamentação de segurança, a padronização tecnológica e a articulação entre instituições governamentais, empresas e prestadores de serviços. Ao participar desse movimento, o IPEN inseria-se na construção de uma possível economia do hidrogênio no Brasil e reafirmava sua capacidade de associar a tradição nuclear à busca por novas formas de geração de energia limpa para o futuro (LINARDI, 2010).

Referências:

GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Informe anual 2002: ciência e tecnologia para o novo milênio. São Paulo: IPEN, 2002. Disponível em: Biblioteca Digital Memória da CNEN. Acesso em: 3 ago. 2026.

LINARDI, Marcelo. Hidrogênio e células a combustível: Programa Brasileiro de I&D. Trabalho apresentado no workshop Advances in Fuel Cells and Hydrogen, Materials for Energy, Torres Vedras, Portugal, abr. 2010.

LINARDI, Marcelo (org.). O IPEN e a inovação tecnológica: passado, presente e futuro. São Paulo: SENAI-SP Editora, 2016.

Ciência e Tecnologia
 
 
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