Sistemas digitais são a espinha dorsal das operações nucleares modernas - e um alvo em crescimento. A CyberCon26 - Segurança da Computação no Mundo Nuclear: Garantindo o Futuro, promovida pela AIEA, tem como foco o debate sobre prevenção, detecção e resposta a ameaças cibernéticas que visam instalações e materiais nucleares, além de outros processos radioativos. A ideia é consolidar uma plataforma para fortalecer estratégias, compartilhar expertise e moldar o futuro da segurança informática para a segurança nuclear em meio a ameaças cibernéticas em rápida evolução.
O Brasil é um dos principais convidados do evento contando com a presença de vários pesquisadores, entre eles Isolda Costa e Paulo Bianchi, respectivamente diretora-superintendente e servidor do IPEN-CNEN. Isolda Costa foi nomeada copresidente do evento e fez uma das palestras de abertura no dia 11 de maio.
"A interseção entre segurança nuclear e tecnologias digitais exige vigilância constante, inovação e cooperação global", afirmou. "Os participantes dessa conferência podem levar aos seus países os benefícios de uma programação rica que destaca riscos emergentes, medidas avançadas de proteção e estudos de caso do mundo real. Ao fomentar a colaboração entre disciplinas e fronteiras, estamos reforçando coletivamente os alicerces da segurança e proteção nuclear na era digital", acrescentou Isolda Costa.
Ambiente nuclear exige segurança digital
O uso seguro e protegido de materiais nucleares e radioativos, juntamente com a operação de instalações nucleares e a gestão das atividades a elas associadas, dependem fortemente de sistemas de informação e computadores. Além disso, esses sistemas são cruciais para a detecção e recuperação de materiais fora do controle regulatório.
O ritmo acelerado da inovação digital e a crescente dependência de sistemas baseados em computador em todas as áreas de operação, incluindo instrumentação e sistemas de controle para segurança e proteção nuclear, destacam a necessidade de discutir vulnerabilidades. Também é essencial abordar o risco de ataques cibernéticos, roubo e manipulação de informações sensíveis e sistemas baseados em computadores.
O setor nuclear não está imune a ameaças que podem atingir sistemas baseados em computadores para realizar ou facilitar atos maliciosos, seja diretamente ou em combinação com meios mais convencionais, como acessos físicos e internos. Esse tipo de ataque combinado pode potencialmente levar a roubos, tráficos ilícitos e sabotagens, resultando em consequências perigosas para pessoas e para o meio ambiente.
Histórico das conferências de segurança nuclear
As publicações da Série de Segurança Nuclear da AIEA estipulam a necessidade de regimes nacionais de segurança nuclear estabelecerem regulamentos e requisitos para proteger a confidencialidade e ativos de informações sensíveis como sistemas baseados em computadores.
Desde a primeira Conferência Internacional sobre Segurança Computacional no Mundo Nuclear, realizada em 2015, a conscientização sobre a crescente ameaça de ciberataques e seu impacto potencial na segurança nuclear aumentou. A AIEA também desenvolveu orientações detalhadas de segurança nuclear para auxiliar os países em seus esforços nacionais para estabelecer a segurança informática como um elemento integral da segurança nuclear.
Considerando a natureza em evolução da segurança da computação, a AIEA organizou a segunda Conferência Internacional sobre Segurança da Computação no Mundo Nuclear: Segurança para a Segurança, em junho de 2023, que enfatizou o amplo alcance da segurança informática para atividades nucleares.
Para complementar as duas conferências anteriores, a AIEA convocou a terceira Conferência Internacional sobre Segurança da Computação no Mundo Nuclear: Garantindo o Futuro (CyberCon26), na sede da AIEA em Viena, Áustria, entre os dias 11 e 15 de maio de 2026.
Objetivos da CyberCon26
A conferência é um fórum global para autoridades, operadores, integradores de sistemas e segurança, fornecedores e entidades relevantes envolvidas em atividades de segurança informática relacionadas à segurança ou proteção nuclear. O principal objetivo é compartilhar experiências, trocar informações e promover a cooperação internacional em segurança informática.
A conferência busca alcançar os seguintes objetivos:
- Explorar tecnologias emergentes de segurança da computação e discutir seu impacto potencial na segurança nuclear, identificando áreas de oportunidade e/ou risco.
- Identificar prioridades para a segurança informática na segurança nuclear e desenvolver estratégias para evoluir as abordagens atuais a fim de enfrentar desafios emergentes e se antecipar às ameaças.
- Fomentar a cooperação internacional em segurança informática para segurança nuclear, aproveitando a expertise e os recursos da AIEA e de outras organizações, e identificando oportunidades para iniciativas conjuntas e programas de capacitação.
Marco Piva com Vasiliki Tafili, Departamento de Segurança e Proteção Nuclear da AIEA - 12/05/2026

