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IPEN 70 ANOS: O REATOR IEA-R1, CORAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO NUCLEAR DO BRASIL

Publicada em: 18/07/2026 13:17 -

 

 

Jornais buscavam esclarecer população sobre estudos nucleares
Cidade de Santos, São Paulo, 24 jun. 1980. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/896179/117251.

O Reator IEA-R1 logo se tornou o coração do Instituto de Energia Atômica (IEA). Foi em torno dele que o Instituto nasceu e passou por importantes melhorias ao longo da década de 1970. Em 1974, por exemplo, o reator permaneceu paralisado por alguns meses para obras de reforma e ampliação da sua capacidade. Entre as intervenções realizadas destacam-se a duplicação do circuito de refrigeração e a construção de um tanque de decaimento para nitrogênio. Poucos anos depois, entre 1977 e 1978, foram executadas a substituição do revestimento cerâmico da piscina por aço inoxidável e a modernização da mesa de controle. 

A década também foi marcada pela formação de Operadores de Reator. Entre 1971 e 1982, 44 alunos concluíram o curso e obtiveram habilitação para trabalhar nessa área. 

Na passagem dos anos 70 para os 80, tornou-se necessário transformar a percepção da sociedade em relação aos reatores nucleares. Em grande parte, era consequência do impacto provocado pelo uso das bombas atômicas ao final da Segunda Guerra Mundial. Diante desse cenário, a imprensa e os órgãos públicos começaram a divulgar os benefícios das aplicações pacíficas da energia nuclear, buscando aproximar a população dessa tecnologia. Ao mesmo tempo, contudo, decisões estratégicas eram tomadas em um contexto marcado pela pouca transparência das ações governamentais, o que alimentava a desconfiança e o temor em relação ao avanço do setor nuclear:

“Formou-se o que se convencionou chamar de ‘Síndrome de Hiroshima’. A expressão designa o pavor inconsciente e irracional a uma tecnologia que, como qualquer outra, não é mais que uma ferramenta a ter o bom ou mau uso determinado unicamente pelas mãos de quem a opera. A energia nuclear passou a despertar sentimentos de temor que se aproximavam do pânico. Sem cheiro, sem cor, sem forma definida e possível mensageira da tragédia humana, passou a integrar o imaginário popular como alguma forma de assombração [...]”. (MACHADO, 2018) 

Nesse contexto, o IEA-R1 continua a desempenhar, desde 1957, um papel importante ao demonstrar as aplicações pacíficas da tecnologia nuclear. Como reator de pesquisa, manteve a produção de radioisótopos e radiofármacos indispensáveis à medicina nuclear no Brasil, além de apoiar atividades de pesquisa, formação de recursos humanos e prestação de serviços tecnológicos. 

Referências:

GORDON, Ana Maria Pinho Leite. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, 1956-2000: um estudo de caso à luz da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira. 2003. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

MACHADO, Luis A. A.; HANSEN, Gilvan Luiz. Opinião pública sobre energia nuclear enquanto sistema perito nas sociedades de risco da modernidade. Brazilian Journal of Radiation Sciences, Rio de Janeiro, v. 6, n. 3, p. 1–24, 2018. DOI: https://doi.org/10.15392/bjrs.v6i3.492. Disponível em: https://bjrs.org.br/revista/index.php/REVISTA/article/view/492. Acesso em: 16 jul. 2026.

 

 

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Tags: São Paulo
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