A preservação da memória e da identidade cultural de um país passa pelo desenvolvimento da ciência. Em uma técnica inovadora baseada no uso de radiação ionizante, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares tem restaurado obras artísticas e culturais importantes no Brasil e no exterior.
Este foi o caso da escultura de São Jerônimo, uma obra histórica que estava sofrendo a ação do tempo com sua estrutura comprometida por fungos e insetos que se alimentam de madeira. A obra passou por um processo inovador de consolidação estrutural utilizando radiação gama e se tornou o primeiro caso bem-sucedido desse tipo de técnica empregada em madeira policromada no país. O método foi desenvolvido pela equipe do IPEN-CNEN liderada pelo professor Pablo Vásquez, em colaboração com Adriana Pires, restauradora-conservadora do Acervo dos Palácios, responsável pela preservação da peça.

- Adriana Pires, restauradora do Acervo dos Palácios, e Maria José de Oliveira, pesquisadora do IPEN, durante o processo de recuperação da obra
Desde o dia 17 de junho, a escultura histórica de São Jerônimo, o patrono dos bibliotecários, já pode ser apreciada novamente pelo público no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A restauração da escultura é resultado de uma parceria entre o Acervo dos Palácios, da Casa Civil do Estado de São Paulo, e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares.
Na solenidade de entrega da obra ao acervo estadual estiveram presentes a superintendente do IPEN, Isolda Costa, e os pesquisadores Pablo Vásquez e Maria José de Oliveira, que, ao lado da restauradora Adriana Pires, participaram diretamente do processo de restauração.
A iniciativa evidencia o potencial das tecnologias nucleares aplicadas à preservação do patrimônio cultural brasileiro. O tratamento com radiação ionizante permitiu a recuperação e conservação da obra de forma segura e eficiente, marcando um avanço inédito para a conservação de bens culturais no país.
Para a superintendente do IPEN, Isolda Costa, a exposição da escultura restaurada demonstra como a ciência pode contribuir para a preservação da memória e da identidade cultural da sociedade. O projeto também reforça o papel do Instituto no desenvolvimento e na aplicação de tecnologias inovadoras em benefício de diferentes áreas do conhecimento.

- Isolda Costa, superintendente do IPEN, na solenidade de entrega da obra ao acervo estadual
Segundo o secretário-executivo da Casa Civil do Estado de São Paulo, Nerylson Lima, a iniciativa demonstra como a colaboração entre instituições públicas pode gerar resultados concretos para a preservação do patrimônio cultural paulista, unindo conhecimento científico, inovação tecnológica e compromisso com a memória histórica.
A exposição da escultura de São Jerônimo no Palácio dos Bandeirantes celebra o sucesso dessa parceria e destaca a contribuição da pesquisa científica para a proteção do patrimônio histórico e artístico brasileiro.
A obra é aberta ao público e está exposta no Palácio dos Bandeirantes. As visitas são guiadas e agendadas com 48 horas de antecedência pelo site www.acervos.sp.gov.br
Marco Piva, jornalista e bolsista do IPEN-CNEN

